VALE A PENA COMPRAR CARROS USADOS DE LOCADORAS?

Essas empresas compram os veículos em condições especiais, revendem automóveis pouco rodados (e dentro do período de garantia) por valores convidativos

A resposta é sim, mas com ressalvas. As locadoras são as maiores beneficiadas pelas vendas diretas de 0 km e inundam o mercado de seminovos cada vez que renovam suas frotas. E como compram em condições especiais, acabam revendendo automóveis pouco rodados — e dentro do período de garantia — por valores convidativos (e em lojas próprias).

Os mais desejados são aqueles que foram destinados a frotas corporativas, veículos designados por empresas a empregados de nível gerencial como chefes, gerentes e diretores.

São automóveis que geralmente permanecem sob os cuidados de uma única pessoa e que, por isso, raramente apresentam falhas no histórico de manutenção.

  • ESTOU SATISFEITA. O AUTOMÓVEL É ÍNTEGRO E FOI COMPRADO POR UM VALOR ABAIXO DA TABELA – SORAYA GOMES CARDIM, advogada.

A advogada Soraya Gomes Cardim, 39 anos, é uma que não se arrepende de ter recorrido a um seminovo de locadora. “Estou plenamente satisfeita com o automóvel, muito íntegro e comprado por um valor abaixo da tabela. O histórico de veículo designado era dos melhores, com todas as revisões realizadas dentro do prazo estipulado”, conta ela.

Outro tipo de veículo de locadora é aquele alugado em diárias avulsas, modelo de locação que caiu nas graças dos motoristas de aplicativo.

Vale questionar o vendedor e pechinchar bastante por carros que rodaram mais de 30 mil km em pouco mais de um ano, os mais suscetíveis a apresentar danos e avarias relacionados ao uso profissional.

O QUE FAZ UM CARRO USADO SER VALORIZADO?

Ilustrações para matéria de Carros Usados (Foto: Ilustração: Davi Augusto)

O vendedor Fernando Pavani afirma que a quilometragem continua sendo o parâmetro principal para a avaliação de um automóvel. “Mesmo quem procura modelos mais antigos descarta qualquer unidade que tenha rodado mais de 100 mil km. Foi esse temor infundado dos compradores que alavancou a demanda pela adulteração de odômetros”, alerta ele.

 

É sempre melhor considerar o estado geral de conservação do carro diretamente relacionado ao perfil do proprietário. Quem roda mais de 3 mil km por mês normalmente encara cerca de 150 km diários em percurso predominantemente rodoviário, trafegando em velocidades constantes que pouco exigem do automóvel, ou seja, ele tem menos desgaste.

O contrário também pode ocorrer: carros pouco rodados podem ter sido severamente castigados por percursos urbanos curtos em grandes metrópoles, situação que exige muito tanto do motor quanto do câmbio. O anda-e-para das cidades é o maior responsável pelo desgaste acentuado de suspensão, freios e pneus.

É preciso muito cuidado também com o preço sedutor de alguns importados. O sonho de um carrão potente e bem equipado pelo valor de um popular 0 km pode se tornar um pesadelo em função das peças e da mão de obra especializada. “Desisti de um BMW usado quando soube que cada amortecedor custava cerca de R$ 2.600”, conta o representante comercial Luís Roberto Silva, 61 anos. Essa depreciação está diretamente relacionada ao custo de manutenção.

Também vale a pena consultar um corretor de seguros, pois o valor de peças danificadas em um acidente pode inviabilizar o custo de uma apólice. “Importados com pouco mais de cinco anos já encontram problemas de aceitação nas principais seguradoras, e a escalada do dólar tende a comprometer ainda mais essa situação”, afirma Rafael Santos, da SCS Corretora de Seguros. “Isso afeta diretamente a liquidez desses modelos”, completa.

  • MESMO QUEM PROCURA MODELOS MAIS ANTIGOS DESCARTA QUALQUER UM QUE TENHA RODADO MAIS  DE 100 MIL KM – FERNANDO PAVANI, lojista.

Rafael aponta outro indício da alta expectativa de vida da frota nacional. “Cada vez mais pessoas procuram seguro para carros com 15 ou até 20 anos de idade”, diz. E esse filão já foi percebido pelas seguradoras. “Isso é válido especialmente para os populares, que têm manutenção mais fácil e barata. Vai desde um plano simples com cobertura de terceiros e assistência 24 horas até os mais completos, incluindo cobertura de incêndio, roubo e colisão”, relata o corretor.

A relação entre o custo e o benefício de um usado também pode cair por terra quando o comprador ignora a procedência do automóvel. Os melhores carros quase sempre estão nas mãos dos proprietários originais, mas muitas vezes o interesse é por um modelo que já está no segundo ou terceiro dono.

Nesses casos, é melhor recorrer ao chamado laudo cautelar. Muito difundido nas grandes metrópoles, esse laudo é uma vistoria que promove a análise minuciosa do histórico do automóvel. E possibilita, também, identificar se o veículo desejado passou por algum sinistro (batidas ou enchentes, por exemplo) ou participou de leilões; e, ainda, se existem restrições administrativas ou judiciais capazes de impedir sua transferência ou circulação nas ruas.

“Alguns estados da federação incluem automaticamente uma intenção de bloqueio de transferência do automóvel sempre que o proprietário é citado em um processo judicial, por menor que seja o valor da causa”, diz o consultor automotivo César Prevoznik. “Sempre vale a pena solicitar uma pesquisa no Detran do estado em que o veículo se encontra”, avisa.

Fonte: Revista Auto Esporte

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